Um ataque de surpresa, sem prévia declaração de guerra. O baixo nível moral de quem dissimulou as suas verdadeiras intenções. Um dia que foi chamado o dia da infâmia.
Mas também a determinação dos atacados em ganhar a guerra que eles não tinham começado.
A quinta feira passada foi o dia da infâmia política de Passos Coelho, do PSD e do CDS. Sem que haja necessidade e sem que constasse do acordo com a troika, por razões ideológicas, estes partidos lançaram um violentíssimo ataque contra toda a função pública em Portugal: uma redução de salário de 15%, apenas pelo facto de serem trabalhadores do Estado!
O estado, que não quer renegociar a dívida ou os contratos das PPPs, frequentemente injustos e lesivos, não hesita em violar os seus compromissos com os seus próprios servidores.
Os cortes da despesa fazem-se não assumindo novos compromissos e usando melhor os recursos disponíveis. Não pagar o que se contratou não é redução de despesa, é não ter palavra.
E que havia alternativas, prova-o o suplemento ao IRS que vai ser cobrado ainda este ano e que corresponde a cerca de metade do subsídio de Natal. Se as contas do estado assim o exigissem, podia prever-se desde já a possibilidade de uma sobretaxa de IRS para o próximo ano.
Nas circunstâncias actuais só resta aos funcionários usarem todos os meios legais ao seu dispôr para contestar estas medidas. E Passos Coelho, o PSD e o CDS, ao mostrarem que são capazes de desferir ataques destes contra tudo o que tinham afirmado até ao momento, não são parceiros negociais de confiança.
Penso que na quinta feira passada Passos Coelho perdeu a legitimidade política para liderar este país e os seus funcionários. Não respeita o que ele próprio diz, não respeita o que promete nas eleições, não respeita as pessoas que é suposto dirigir na condução do estado. Não esperava dizer isto tão cedo, mas, em termos políticos, Passos Coelho está ao nível de José Sócrates: não é de confiança.
Para Portugal as consequências também são graves: já não estamos todos a trabalhar para tirar o país desta situação. Os funcionários têm agora que travar esta guerra que não escolheram começar. Isso vai aproximar-nos mais da Grécia do que da Irlanda. E, se o resultado são perdas de rendimento de 40%, para os funcionários seria provavelmente mais vantajoso que reestruturássemos a dívida e saíssemos do euro: perdíamos o mesmo poder de compra mas poderíamos recomeçar como os Islandeses, em vez de nos arrastarmos sem esperança de melhores dias.
É que o grande argumento a favor de uma austeridade no euro em vez da reestruturação da dívida e saída do euro era para mim o facto de as consequências da saída serem de muito maior magnitude do que as da austeridade. Mas se ficamos no euro para os banqueiros manterem os seus negócios enquanto os funcionários perdem tudo, então não vale a pena o esforço.
Finalmente o PS vai ter que se definir: uma abstenção neste orçamento torná-lo-ia cúmplice nesta infâmia.
Mas também a determinação dos atacados em ganhar a guerra que eles não tinham começado.
A quinta feira passada foi o dia da infâmia política de Passos Coelho, do PSD e do CDS. Sem que haja necessidade e sem que constasse do acordo com a troika, por razões ideológicas, estes partidos lançaram um violentíssimo ataque contra toda a função pública em Portugal: uma redução de salário de 15%, apenas pelo facto de serem trabalhadores do Estado!
O estado, que não quer renegociar a dívida ou os contratos das PPPs, frequentemente injustos e lesivos, não hesita em violar os seus compromissos com os seus próprios servidores.
Os cortes da despesa fazem-se não assumindo novos compromissos e usando melhor os recursos disponíveis. Não pagar o que se contratou não é redução de despesa, é não ter palavra.
E que havia alternativas, prova-o o suplemento ao IRS que vai ser cobrado ainda este ano e que corresponde a cerca de metade do subsídio de Natal. Se as contas do estado assim o exigissem, podia prever-se desde já a possibilidade de uma sobretaxa de IRS para o próximo ano.
Nas circunstâncias actuais só resta aos funcionários usarem todos os meios legais ao seu dispôr para contestar estas medidas. E Passos Coelho, o PSD e o CDS, ao mostrarem que são capazes de desferir ataques destes contra tudo o que tinham afirmado até ao momento, não são parceiros negociais de confiança.
Penso que na quinta feira passada Passos Coelho perdeu a legitimidade política para liderar este país e os seus funcionários. Não respeita o que ele próprio diz, não respeita o que promete nas eleições, não respeita as pessoas que é suposto dirigir na condução do estado. Não esperava dizer isto tão cedo, mas, em termos políticos, Passos Coelho está ao nível de José Sócrates: não é de confiança.
Para Portugal as consequências também são graves: já não estamos todos a trabalhar para tirar o país desta situação. Os funcionários têm agora que travar esta guerra que não escolheram começar. Isso vai aproximar-nos mais da Grécia do que da Irlanda. E, se o resultado são perdas de rendimento de 40%, para os funcionários seria provavelmente mais vantajoso que reestruturássemos a dívida e saíssemos do euro: perdíamos o mesmo poder de compra mas poderíamos recomeçar como os Islandeses, em vez de nos arrastarmos sem esperança de melhores dias.
É que o grande argumento a favor de uma austeridade no euro em vez da reestruturação da dívida e saída do euro era para mim o facto de as consequências da saída serem de muito maior magnitude do que as da austeridade. Mas se ficamos no euro para os banqueiros manterem os seus negócios enquanto os funcionários perdem tudo, então não vale a pena o esforço.
Finalmente o PS vai ter que se definir: uma abstenção neste orçamento torná-lo-ia cúmplice nesta infâmia.

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